“FILMAGENS”, por Renato Moura

Às vezes sou leve, às vezes pesado como as paredes que me circundam. Eu e elas nos entendemos. Gosto de lhes contar minhas mazelas, de infernizá-las com perguntas e assim agitar seus átomos preguiçosos. E elas me respondem, avançando contra mim. Nas horas lentas, derramadas por um antigo carrilhão feito em madeira de lei, três delas avançam, e um quadro se aproxima, meus ouvidos entregues à música barroca. O quadro é uma reprodução de certa obra renascentista que traz em primeiro plano uma mulher seminua. A mulher não me vê, seu olhar perdido me ignora. Mesmo assim, vou entrar no quadro.

Entro. Nele vou descobrir de onde vem a magia que me encanta. Pode vir da deusa, da musa, da amante, da amiga, enfim, de quem meus devaneios quiserem que essa mulher seja. Estamos num campo, as flores sorriem, nos observam e sentem nossos cheiros. Corremos descalços ao sabor da brisa fresca e nos abraçamos sob o sol da primavera. Depois, fazemos amor embalados pela lira de Eros. O campo não tem paredes, não tem fronteiras. Alegres e exaustos, montamos um corcel branco e fogoso que logo se põe a galopar e quase não responde aos nossos comandos.

A mulher do quadro… Minha primeira filmagem. No campo florido não há impedimentos para nós. Fujo da realidade? Ou quero fazer da realidade um campo florido? Saio, então, do quadro e de casa.

A cidade parece se esconder do dia enquanto deambulo pela avenida que separa o mar dos prédios. Em sentido contrário, um vendedor de pipocas vem vindo. Empurra a carrocinha devagar, tão devagar que paro ao lado dele e peço um saco médio. Depois, pago e me afasto, sem esperar pelo troco. Eu e o vendedor somos mundos estranhos postos em contato na vastidão do domingo. Ele vende pipocas para não ter que vender a alma ao diabo; eu ando a esmo para que o diabo não queira comprar a minha. Fora do quadro, continuo a filmar o que vejo. À minha frente, um cobertor rasgado serve de abrigo a dois garotos franzinos. Um deles o puxa de cá, o outro de lá, se estranham, quase brigam. Quando lhes dou algumas moedas, sorriem, interrompem a disputa encarniçada e reviram os olhos vermelhos de crack. Valeu, tio – dizem.

Chego à praça, o sino da igreja toca e algumas pessoas entram. Parecem afobadas, mas, sem nenhuma afobação, um bêbado se aproxima da porta principal. Percebo seu avançado estado etílico pelo andar torto e adivinho o que vai fazer. Sem me notar, ele entra no templo como se entrasse no lar que não tem. Será que algum fiel fará o obséquio de devolvê-lo à rua? Não espero para filmar.

Passo agora em frente à portaria de um grande edifício e vejo duas meninas imersas num beijo novelesco. Devem ter cerca de vinte anos, talvez até um pouco menos. Há quantos minutos estão assim e por quantos mais ficarão? O mundo dos enamorados gira no mesmo ritmo da minha caminhada sem rumo. Gira mesmo? Por vezes acho que não e até duvido que o planeta gire. Mas certo Jean Léon Foucault e seu pêndulo disseram que gira.

As meninas imersas no beijo, o bêbado afogado em pinga, os garotos que ainda devem estar brigando pelo cobertor e o vendedor de pipocas não poderão ver a lua em sua exuberância crescente. Eu também não. A chuva não quer que a vejamos, talvez por ciúme. Uma pena.

Sigo sem pressa, filmando a cidade com o olhar. Não fiz um roteiro, capto imagens e no meu filme a história surge do que me causa sensações variadas, misturas imprecisas de desalento e ânimo.

No domingo que finda começo a sentir a chuva na pele. Antes, ela parecia não me molhar, como se fosse de uma secura ímpar. Agora já não é mais. Meus braços estão salpicados de gotas que brilham como pequenos diamantes. Gosto da imagem, por isso a filmo.

A noite chega e por fim ou por início chego a casa, onde tudo promete se repetir. Ou não. Olho para a mulher que no quadro balança os longos cabelos cor de mel. Seu olhar, antes pousado num ponto qualquer do nada, já não me ignora. Sinto que a deusa, a musa, a amante e a amiga vão sair da moldura. A vida lá fora existe e elas também a querem filmar.

 

(publicado na Antologia do Prêmio VIP de Literatura – edição 2022 – AR Publishers Editora)

 


Nascido em 1958, é natural de Niterói (RJ), Dr. em Educação, Prof. Titular aposentado da UFRJ e membro da APPERJ. Como Renato Massari, publicou os romances “Similitudes” (2022) e “Barca das Lembranças (2021) – este agraciado com o Prêmio Planeta Litterae (Editora Planeta Azul). Em 2025, já como Renato Moura, obteve o quarto lugar no Prêmio Nacional Poiesis de Literatura, com o microconto “Ser”, e Menção Honrosa no Concurso Primavera Eterna (Editora Typus) com o conto “Tatuagens”. Tem ainda poesias e contos publicados em revistas virtuais e antologias.

@renatomassari.oliveira


Entre a dor e a lucidez

O retrato visceral das mazelas mentais em Sinthoma, de Victor Leandro.

A Editora Temiporã lançou, neste ano, Sinthoma, romance do autor manauara Victor Leandro. O escritor vem consolidando seu nome no cenário literário regional ao explorar, com profundidade, as tensões sociais e políticas que marcam a região Norte. Em 2025, com a publicação da novela Rio das Cinzas, Leandro já havia revelado o impacto severo da crise climática e a negligência do Estado diante das vulnerabilidades da população local.

Em Sinthoma, o foco se desloca para um debate urgente e crescente: a saúde mental. À medida que os transtornos psiquiátricos se tornam mais visíveis na sociedade contemporânea, surge a inquietação: como as instituições e o poder público realmente lidam com essas pessoas? O livro não oferece uma resposta simplista, mas sim um convite contundente à reflexão.

A narrativa acompanha o Dr. Hermes durante o último plantão de um hospital psiquiátrico em Manaus, às vésperas de sua desativação. Ao cruzar os portões, o médico encontra um ambiente inóspito e pacientes submetidos a um estado de total desamparo. O impacto das histórias de abandono e exclusão social que encontra ali levanta uma questão central: para onde essas pessoas serão levadas?

A trama ganha contornos mais complexos com a Dra. Ana, uma figura enigmática que convida Hermes a percorrer uma noite marcada por revelações. Mais do que o hospital, o autor desvela uma cidade também sintomática, que agoniza sob o abandono estatal. Com uma linguagem fluida, Victor Leandro conduz o leitor por uma jornada tensa e necessária. Sinthoma é uma obra fundamental que reacende debates adormecidos, mas que, silenciosamente, corroem o tecido da nossa sociedade. Deve ser lido.

Sobre o autor:

Victor Leandro é ensaísta e autor de ficção. Em 2011, recebeu o prêmio nacional Luiz Ruas, destinado ao melhor ensaio sobre literatura, pelo trabalho intitulado O Norte Impossível – Ficção, Memória e Identidade em Narrativas de Milton Hatoum. Publicou as obras O Artista do Fracasso, Estocolmo, Degredo, Rio das Cinzas, dentre outras. Em 2024, recebeu menção honrosa no concurso internacional da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro, pelo romance O Fantasma e a Travessia. É professor de filosofia na Universidade do Estado do Amazonas.

Contatos:
viktorleandro@hotmail.com
@silvavictorleandro

TESE DE DOUTORADO EM COMUNICAÇÃO ABORDA MERCADO RELIGIOSO

Evento em livraria na Avenida Paulista reúne Povo de Axé e da Comunicação

 

No dia 29 de março, às 15h, na Livraria Martins Fontes Paulista, acontece o lançamento de FOI EXU QUE ME DEU”: Exu Coach e a Teologia da Prosperidade na Umbanda, de Ademir Barbosa Júnior (Pai Dermes de Xangô), evento que contará também com atrações culturais. Publicado pela Editora Aruanda, o trabalho é a edição em livro da tese de doutorado em Comunicação que o autor defendeu na Universidade Paulista (UNIP) em setembro de 2025. “A Editora Aruanda tem um selo voltado para trabalhos acadêmicos (Fundamentos de Axé), e foi uma de suas publicações que recebeu o primeiro Prêmio Jabuti Acadêmico em 2024 na Categoria Ciências da Religião/Teologia”, explica o autor.

A tese é resultado de uma acurada etnografia digital que identifica elementos da teologia da prosperidade e da teologia coaching (ambas mais conhecidas no neopentecostalismo) na Umbanda. “Cursos na internet, memes, Marcha para Exu: são vários os fenômenos comunicacionais apontados e estudados”, segundo Dermes, que em novembro passado iniciou um pós-doutorado em Comunicação que parte da tese, mas mergulha em outras questões desafiadoras já desenvolvidas pelo grupo de pesquisa na UNIP. Trabalho orientado pelo Prof. Dr. Maurício Ribeiro da Silva (UNIP), que assina o prefácio, o livro, tem ainda, apresentação do Prof. Dr. Hertez Wendell de Camargo (UFPR) e posfácio da Profa. Dra. Malena Segura Contrera (UNIP).

Autor de diversos livros (alguns premiados e com traduções para diversos idiomas), Doutor em Comunicação pela UNIP, Mestre em Literatura Brasileira pela USP, onde também se graduou em Letras, Pai Dermes é Doutor honoris Causa pelo MCNG-IEG (2018) e pela FEBACLA (2019) e Pós-graduado em Ciências da Religião pelo Instituto Prominas. Desde 2019 é patrono e titular da cadeira 62 da Academia Independente de Letras (sede em Pernambuco), com a divisa “Axé”. Em Piracicaba idealizou e coordenou inúmeros projetos culturais e o Fórum Municipal das Religiões de Terreiro (2011-2014) e produziu curtas-metragens com temática dos Orixás. Em 2014 presidiu o Fórum Europeu de Umbanda, em Leiria, Portugal, e em 2015 foi o vice-presidente do Fórum Catarinense de Umbanda, em Blumenau. É dirigente da T. U. Caboclo Jiboia e Zé Pelintra das Almas, aberta em 2015, e Ogã há 24 anos do Ile Iya Tunde (hoje sediado em Embu das Artes – SP). Em 2025 foi um dos 80 selecionados de um universo de 120.000 inscritos para o Santander Top España na Universidad de Salamanca.

 

Tarde de autógrafos de “FOI EXU QUE ME DEU”: Exu Coach e a Teologia da Prosperidade na Umbanda

Data: 29 de março de 2026

Horário: 15h

Local: Livraria Martins Fontes Paulista – Av. Paulista, 509 (térreo) – São Paulo – SP

Afonso Borges destaca o livro “Princípio Constitucional da Solidariedade”, obra da ministra do STF. Cármen Lúcia, publicada pela Editora Fórum.

O Mondolivro de hoje fala de uma leitura que me tocou de um jeito raro e especial.

Um livro que não deveria estar apenas nas estantes do Direito, mas na cabeceira de quem acredita na força da palavra e do humano.

Falo de Princípio Constitucional da Solidariedade, da minstra do STF, Cármen Lúcia, publicado pela Editora Fórum.

Cármen Lúcia escreve como quem fala baixo, mas firme. Não impõe conceitos – constrói sentidos. Sua escrita tem algo de confissão e algo de compromisso. A gente sente que cada frase nasce de uma responsabilidade profunda com o outro.

A solidariedade, aqui, não é tese. É uma visão de mundo. É a ideia de que ninguém se sustenta sozinho — nem o Direito, nem a democracia, nem a vida.

Ao ler, tive a sensação de estar diante de alguém que acredita, de verdade, que as palavras ainda podem organizar o mundo. Que escrever bem é um ato ético. E que pensar o coletivo é uma forma de afeto.

Esse livro me lembrou que há autores que não escrevem para vencer debates, mas para não perder pessoas. Para mim, o “Princípio Constitucional da Solidariedade” é, além de literatura da mais alta qualidade, uma forma de diálogo.

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O Norte-Literatura

Destaco aqui dois acontecimentos literários do Amazonas no ano de 2026.

Obviamente, o Amazonas não é todo o Norte. Logo, é uma certa representatividade que está aqui em questão, e o que se visa demonstrar trata-se sobretudo de pensar alguns rumos, determinadas setas diretivas tomadas pela prosa literária nortista em nossa época, em que pesem os significantes de outras manifestações em estados vizinhos.

Disso, considerando as obras em sua totalidade, conseguimos extrair algumas proposições. A primeira delas é que já ultrapassamos em muito o naturalismo, marca nossa tão frequente, bem como os igualmente comuns assomos românticos. Outro ponto importante é o de que sim, estamos sintonizados com o que ocorre no mundo de hoje, tanto estética quanto socialmente, porém a nossa maneira, ou seja, sem recorrer aos temas dominantes das praças centrais. Em outras palavras, encontramo-nos dotados de uma singularidade, que convido aqui os leitores a conhecer.

Dito isso, passemos então a duas elaborações que me parecem um exemplário válido das premissas anteriormente destacadas.

Teto Verde, de Raissa Jambur, é o segundo livro da autora, e aponta para um expressivo salto em sua produção. A extensão do texto seguramente nos engana, pois as curtas páginas não nos fazem prever a densidade de sua narrativa. Nela, temos o entrelaçamento inusitado entre a escassez florestal da capital amazonense – sim, a maior floresta do mundo abriga uma cidade pobre de selva e não arborizada – e a vacuidade afetiva dos relacionamentos entre mãe e filha, na qual os signos se trocam e convertem-se cada qual no emblema do outro. A perspectiva adotada, no entanto, não é passiva, e sim de resistência, e culmina numa virada espetacular, que somente pode ser apreendida pelos leitores por meio da envolvente leitura da trama do texto.

Não é sem algum constrangimento que falo da segundo obra, posto que é de minha autoria. Contudo, a fortuna crítica independente produzida acerca do livro me ampara para tal empreita. Isso posto, baseado nos dizeres de argutos leitores, o que coloco é que Rio das Cinzas se propõe como uma viagem ao coração das trevas das crises climática e econômica que assolam a região, tendo como ente motivador a grande seca nos últimos anos, que na trama é tematizada pela busca de Estevam, um servidor público federal, a fim de encontrar os familiares de garimpeiros sitiados na selva. Nisso, os conflitos políticos, econômicos e humanitários da região afloram sem rodeios, mas sem apelar, com bem destacou o crítico Clei Souza, para as imagens estereotipadas de uma Amazônia monolítica e parada no fluxo da história.

Desse modo, tanto Teto Verde quanto Rio das Cinzas aparecem como amostras destacadas da nova literatura do Norte, que rejeita rótulos e procura por caminhos estéticos originais, isso sem ignorar o diálogo com outras localidades. Espero que esse texto sirva como um convite minimamente motivador à leitura de ambas. Certo que não perderão em arvorar-se por esses territórios tão próximos, porém a muitos leitores ainda desconhecidos.

 

Victor Leandro da Silva
Prof. Associado da Universidade do Estado do Amazonas

Retalhos poéticos de Drummond

No meio do caminho tinha um banco,
Onde sentou-se José,
Naquela tarde de maio,
De mãos dadas com a fé.

Com sua lanterna mágica,
Esperou pelo anoitecer,
Ainda que mal soubesse
A fragilidade do ser.

Dançar o Bolero de Ravel
Estava nos desejos seus.
Mas, na igreja, o sino tocava,
A canção final de adeus.

De surpresa vem a quadrilha
Na procura da poesia,
Trazendo a canção amiga
Como um presente do dia.

E para ser um homem livre,
A difícil escolha não é segredo,
Pois, a ausência da coragem,
Para o poeta é um brinquedo

Mas, para sempre não é definitivo,
Em confronto com a eternidade,

O tempo passa? Não passa.
Passa a vida, na verdade.

Na memória o inconfesso desejo:
Recomeçar sem medo da dor,
Vencer a máquina do mundo,
Para viver um grande amor.

Trabalho elaborado com a utilização de 34 títulos
de poemas de Carlos Drummond de Andrade.

 

Este poema (Retalhos poéticos de Drummond) venceu o Concurso Poesia BR #10 da Editora Versiprosa.

 

 

Ildebrando Pereira da Silva nasceu em Lorena /SP em 26 de março de1952. Formado em Direito pela Universidade de Taubaté UNITAU.

Poeta premiado em concursos, sendo três em 2025. Autor dos livros Fantasia, Sonho de Papel, Sob o olhar da poesia Por onde anda a poesia, além da participação em coletâneas. Declamador ganhador de vários prêmios. Participou de grupos de canto coral, grupos de teatro e atuou como radialista na Rádio Cultura de Lorena. Membro Fundador da Academia Lorenense de Letras e Artes – ALLARTE, sendo o idealizador da sua criação, e seu presidente.

Sócio da UBE será Homenageado na Câmara Municipal de São Bernardo do Campo (SP)

Pai Dermes de Xangô receberá comenda pelo Dia da Umbanda

No próximo dia 09 de novembro, às 19h, o piracicabano Ademir Barbosa Júnior (Dermes) será um dos homenageados na Câmara Municipal de São Bernardo do Campo pelo Dia da Umbanda. Dirigente da T. U. Caboclo Jiboia e Zé Pelintra das Almas (Piracicaba – SP), aberta em 2015, Pai Dermes coordena o chamado Projeto Terreiro Itinerante. “Fico muito agradecido e estendo essa homenagem a filhos e amigos. Nas questões do Axé, temos espaço para individualidades, mas não para individualismo. Toda luta e toda conquista são coletivas”, celebra. A iniciativa é do Vereador Estevão Camolesi.

Há quase 15 anos, antes de abrir sua casa, Pai Dermes visita terreiros, escolas, centros comunitários e outros, como palestrante voluntário, no Brasil e Portugal. “As religiões de Axé não são proselitistas e compreendem a espiritualidade como algo cotidiano e que, portanto, contemplam o corpo, as questões sociais e tantas outras”, explica Dermes, para quem a homenagem em São Bernardo tem um sabor especial, pois seu Pai na Umbanda, Joãozinho Galerani (Terreiro da Vó Benedita – Campinas – SP) também será homenageado. “De fato, o fruto não cai longe da árvore”, conclui.

Autor de diversos livros (alguns premiados e com traduções para diversos idiomas), Doutor em Comunicação pela UNIP, Mestre em Literatura Brasileira pela USP, onde também se graduou em Letras, Pai Dermes é Doutor honoris Causa pelo MCNG-IEG (2018) e pela FEBACLA (2019) e Pós-graduado em Ciências da Religião pelo Instituto Prominas. Desde 2019 é patrono e titular da cadeira 62 da Academia Independente de Letras (sede em Pernambuco), com a divisa “Axé”. Em Piracicaba idealizou e coordenou inúmeros projetos culturais e o Fórum Municipal das Religiões de Terreiro (2011-2014) e produziu curtas-metragens com temática dos Orixás. Em 2014 presidiu o Fórum Europeu de Umbanda, em Leiria, Portugal, e em 2015 foi o vice-presidente do Fórum Catarinense de Umbanda, em Blumenau. É Ogã há 23 anos do Ile Iya Tunde (hoje sediado em Embu das Artes – SP), com a dijina Tata Obasiré. Este ano foi um dos 80 selecionados de um universo de 120.000 inscritos para o Santander Top España na Universidad de Salamanca.

Lançamento: Jorge Sá Earp lança seu novo livro, “A volta do arlequim”, editado pela editora 7Letras

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As epígrafes do novo romance de Jorge Sá Earp, “A volta do arlequim”, são uma prévia do que vem pela frente: paixão forte. Curiosamente, duas delas – do filósofo pré-socrático Demócrito (460 a 370 a.C.) – se contradizem, como costuma acontecer quando a razão dá lugar ao coração.

Norberto retorna ao Rio de Janeiro após morar muitos anos na Europa. Ele é casado com a italiana Valentina e eles tem filhos gêmeos não-idênticos. Antes mesmo de abrir as caixas da mudança, ele vai à praça onde costumava brincar e relembra os amigos de outrora. O que terá acontecido com eles? Esse início, que dá ideia de um romance memorialista, logo muda quando o protagonista conhece Irineu Bustamante, senhor literato que se revela uma nova amizade, e reencontra Cristiano, companheiro de infância, pai de Diogo. O rapaz desperta sentimentos e faz emergir lembranças que nunca deixaram de arder em silêncio.

A partir daí, a motivação do título do romance se torna clara: “A volta do arlequim” mostra as máscaras que cada um veste para sobreviver às pressões da família, da sociedade e do próprio sentir. Como o personagem da comédia italiana, o narrador se desdobra em papéis múltiplos – filho, amigo, amante, marido, estrangeiro –, buscando no vaivém dessas identidades uma forma de recompor sua história.

Sobre o autor:

Jorge Sá Earp nasceu no Rio de Janeiro, em 1955. Cursou Letras na PUC-Rio. Como diplomata, serviu na Polônia, Holanda, Gabão, Bélgica, Itália, Romênia, Equador e Costa Rica. Contista e romancista, é autor de “Ponto de fuga” (romance, 1995, vencedor do prêmio Nestlé de Literatura), (2010), “A praça do mercado” (2018), “As amarras” (2020), “O veranista” (2024), entre outros.

Adquira “A volta do arlequim”, de Jorge Sá Earp em: https://7letras.com.br/livro/a-volta-do-arlequim/

Autor Jorge Sá Earp apresenta o livro “O veranista”

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Com agilidade e fluência na construção das suas narrativas, personagens e diálogos, Jorge Sá Earp é um daqueles autores que sabem conquistar e cativar o leitor. No primeiro conto “O capote de Baltazar”, a metalinguagem é habilmente explorada. Fabiano, um escritor ambicioso, divide com seus amigos o personagem que está criando, um velho misantropo. Em seu processo de escrita, memórias afetivas dissolvem os contornos de criador e criatura. A efervescente vida noturna em uma ilha é o ponto de partida para “A muralha de Ibiza”, que narra o encontro homoerótico e furtivo entre dois estrangeiros à procura de companhia, e quem sabe, de si mesmos. A grande atriz Yedda Távora é a protagonista do conto que leva seu nome, em que o leitor é surpreendido com a mistura de diversos gêneros textuais e compartilha as experiências amorosas da adorável artista. No conto-novela que dá título ao livro, o protagonista recebe dois hóspedes adolescentes para uma temporada em seu apartamento no Rio de Janeiro, e a convivência com os jovens desperta os desejos mais profundos. Com a prosa leve e refinada de um verdadeiro estilista, Jorge Sá Earp apresenta histórias tão envolventes que parecem reais, nos deixando sem saber se é a vida que imita a arte ou se a arte imita a vida.

O livro “O veranista” está disponível em: https://7letras.com.br/livro/o-veranista/