“A amante”, por Sandra Godinho

Anay ouviu o vento balançar as árvores sem notar que também bambeava. Não esperou a terra esfriar do calor, agachou-se, estendendo o corpo rente ao chão, e encostou a cabeça na terra sem se importar com o olhar do marido que se embalava na rede da varanda do pequeno casebre sem nunca a perder de vista.

Anay aspirou, das profundezas do solo, uns bafos quentes e úmidos que traziam os sons das feras da noite, expondo o receio de que a quietude da mata trouxesse para perto de si um mundo de horrores. O marido se irritou:

− Deu para dormir na pele da terra agora, Anay?

− Compadre disse que tem onça rondando a aldeia.

− Onça sempre teve.

− Matam, comem, vão dormir com a barriga cheia e sem culpa. Vamos embora daqui, Romualdo, vamos para a cidade!

− Se aquiete, mulher, vá tratar de dormir.

− É a floresta que iguala todos aos animais. Eu te peço: vamos embora!

− Vá você, se quiser.

Ela queria, mas para escapar de um lugar era preciso escapar de si, ser outra sendo a mesma, e disso Anay não era capaz. Ela regressava ao leito à noite, vagando entre o sono e a vigília com medo de se perder num lugar onde, havia tempos, não chegavam estradas, notícias ou estranhos. Rezava para achar uma terra em que pudesse plantar sementes. Sementes, ela mesma não teve. Seu único filho nasceu morto, sem coragem para enfrentar o mundo que iria se abrir. Após o parto, a mulher rasgou uma boca na terra para que esta engolisse seu rebento e, agora, o solo secava sem ela gestar outro. A natureza tinha um mando silencioso, que dispensava palavra.

Ela se guardava assim, esperando que a terra ou algum bicho a engolisse. Acordava antes do nascer do sol, colhia a lenha para acender o fogão, buscava água, acendia o fogo, coava o café, cortava ripas de madeira para curar as feridas abertas nas paredes, protegendo-se das feras que andavam com a liberdade displicente dos seres da floresta. Seu marido cuidava da criação logo no início da manhã: um cachorro, um cavalo, uma serpente de estimação e um porco. Alimentava-os bem e, depois, passava o dia pescando com os amigos no meio do rio. A ausência de Romualdo enchia Anay de sombras. A mulher perdia o apetite, o sono, o peso, perdia até mesmo o pensamento, que flanava longe, transbordando de insensatez.

Um dia, o marido de Anay chegou, calcou o pé na varanda com tanta força que as paredes tremelicaram, fazendo o baque surdo ribombar pelos cantos.

− Me contaram que você esteve conversando com o compadre!

− Fui ver se ele me emprestava a arma.

− E o que você vai fazer com uma arma? Matar algum bicho ou se matar? Quer virar bicho você também?

− Há muito já sou bicho.

− Bicho, não. Louca, talvez.

− Não sou louca, mas posso acabar ficando.

− Pois de agora em diante, você fica em casa. Lugar de bicho é na jaula.

O rosto de Anay ardeu, as pernas formigaram, os braços adormeceram. Brigava com seu inferno interior, regido por leis que nem Deus podia explicar. Se não rompia as amarras era por medo de não conseguir atravessar o rio, tão infinito quanto o pensamento.

À noite, depois de ouvir as entranhas da terra, recostou-se no leito. O marido, ao seu lado, ressoava como um motor de popa. Anay se sentiu fluir, vagando pela floresta sob o manto da noite que descia sobre a aldeia e a cobria de estrelas. O vento balançou os galhos retorcidos das árvores, as nuvens se rasgaram no céu, a chuva umedeceu a terra e o cheiro ácido do bicho se aproximou.

Seu pelo estava molhado, e ele começou a lambê-la. Primeiro, molhou com sutileza suas mãos, pendendo do lado de fora da rede, depois subiu em seu corpo e passou a língua por suas curvas com avidez. Isso a encheu de prazer. Ela se despiu para que o animal a devorasse com a gentileza de um estranho. Depois do ato amoroso, ela adormeceu na mais completa paz. Acordou na manhã seguinte com o cachorro ao seu lado na rede, também dormindo. Surpreendeu-se, envolta em suor, um tanto gosmenta e malcheirosa. Resolveu banhar-se no rio, antes que o marido acordasse. Perturbou-se. Se antes permanecia imobilizada pelo temor, agora se imobilizava pelo prazer, à mercê do instinto animal. Passou o dia guardada em segredos, a pensar no que lhe tinha sucedido à noite.

O dia se desfez e logo a noite caiu. Anay, longe de temer o sono, passou a desejá-lo. Estou louca, pensou. Fechou os olhos, respirou fundo, sorvendo o ar que a envolvia e se preparou nas dobras da rede. Não conseguiu dormir. Foi até a varanda e se deitou no chão, encostando o ouvido à terra, quando um cheiro acre de bicho a envolveu. Ela se despiu, fechou os olhos e se entregou às carícias. O animal a cavalgou, descendo os vales, subindo as montanhas de seu corpo contorcido de prazer, não mais dona de sua vontade. Na manhã seguinte, acordou nua na varanda com o cavalo ao seu lado. Quis gritar, num pretenso asco, mas pensou no prazer sentido, então se dirigiu para o rio, sem esperar que o marido despertasse.

O dia custou a passar. O homem, depois de cuidar dos animais, saiu para a pesca sem lhe reparar a estranheza, nem o ar ensandecido. Ela falava agora outro idioma, suava e gemia pelos cantos esperando a noite cair para galopar territórios desconhecidos.

Seu marido chegou no final da tarde, com os peixes presos a uma vara e outros tantos em um samburá. Ela moqueou todos eles, transbordando de excitação diante do firmamento já pontuado de estrelas. Mal a noite caiu, o marido desmaiou na cama. Anay despiu-se. Aconchegou-se à rede e esperou pelo cheiro selvagem. Quando lhe chegou às narinas, ela transbordou em alegria de puro apetite animal.

Uma serpente aconchegou-se ao seu corpo, deslizando pelo pescoço, descendo pelo colo até postar-se próxima do sexo úmido, pronto para ser penetrado. Ela desfaleceu de prazer. Na manhã seguinte, a cobra jazia a seu lado. Ela se dirigiu novamente ao rio, passou a mão pelo seio desnudo, pela barriga macia, pelo pescoço que engrandecia. De um modo estranho, sentiu a pele espessa, os pelos grossos e com um cheiro tão intenso quanto o dos bichos, sem deitar maiores preocupações.

Só o que tinha a fazer era esperar a noite dominar. Não gostava de ver o sol ostentar opulência, expulsando as estrelas, assumindo-se soberano. Era a noite que trazia o encanto. Com ela, todos podiam reinar. Esperou a noite definhar o brilho do sol, aprumou-se na rede, enquanto o marido se retorcia no quarto. Desta vez, ele custou a dormir, ameaçando apropriar-se do que era dela por natureza, tomar seu corpo a pulso. No escuro, Anay pensava na visitante da noite quando o cheiro ácido lhe atingiu as narinas. O marido reparou que a mulher se despia, então levantou-se da cama e a abraçou por trás. Queria a mulher rendida, entregue às suas carícias. Anay começou a se sacudir e caiu ao chão, apoiada em suas mãos e pés. Soltou um gemido, uma espécie de esturro, tão forte que calou os demais ruídos vindos da mata. O homem surpreendeu-se com a desfeita e quis chutar-lhe a barriga.

No dia seguinte, o compadre de Anay apareceu no casebre e se apavorou. Na varanda, caído diante da entrada, um porco imenso jazia com a garganta rasgada. Provavelmente, um trabalho de onça, cujas pegadas, envoltas em sangue, permaneciam frescas na varanda. Nenhum outro corpo foi achado. O que chamou a atenção foi um silêncio anormal, como se tudo estivesse em paz.

 

 

Sandra Godinho, nascida a 27/07/1960 em São Paulo, mora há 23 anos em Manaus; é graduada e Mestre em Letras e tem 14 livros publicados. Orelha Lavada, Infância Roubada (contos – 2018) recebeu Menção Honrosa no 60º Prêmio Literário Casa de Las Américas em 2019; O Verso do Reverso (contos) ganhou o Prêmio Cidade de Manaus  em 2019; Tocaia do Norte (romance) recebeu Prêmio Cidade de Manaus em 2020 e foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura em 2021; A Morte é a promessa de algum fim (romance) recebeu o Prêmio Cidade de Manaus em 2021; Memórias de uma mulher Morta (romance) foi finalista do Prêmio Leya 2021; A Secura dos Ossos (romance) foi finalista do Prêmio Leya 2022. Nós, cegos (contos) foi vencedor do 1º Prêmio Carolina de Jesus em 2023 e ganhou o PNAB 2024. O Negro secou (contos) recebeu Menção Honrosa no Prêmio Cidade de Manaus em 2024. Paralelo 11(romance) foi finalista no Prêmio Leya 2024. Tocaia do Norte ganhou ainda o Prêmio da BN em 2023 e está sendo traduzido para o Inglês e A Secura dos Ossos ganhou o Prêmio da BN em 2024 e está sendo traduzido para o Português moçambicano.

UBE Cast BR - APARECIDA VINES - Blog

#UBECastBrasil entrevista APARECIDA VINES | Episódio #05 | Temporada #01

Aparecida Vines, natural de Guapiara, SP, graduação em Letras e Enfermagem (UEL), e Mestrado em Fisiologia (UFPR). É autora dos romances “Entre Ingás e Framboesas” (2022) e “Cartas para Dorset” (2025), ambos publicados pela editora Litteralux, e participa de 6 coletâneas de contos e 10 de poemas com outros autores contemporâneos. II Prêmio AFEIGRAF-2020 (poema); “Contos da Quarentena”, 2020, UNIFEBE (miniconto); Finalista do concurso de Contos do Prêmio Off Flip/23.

 

Assista agora a entrevista completa de nossa sócia Aparecida Vines:

O CORREDOR

A mãe passara mal.

Algo impressionante ocorre quando alguém próximo está morrendo. Sabemos que a pessoa vai morrer sem demora. Todos tentamos mudar o que é imutável. Ela vai morrer de qualquer jeito.

Insistentemente, procuramos médicos, remédios, curas milagrosas. Não existe, ela vai morrer. E o morrer é assim, nunca mais a veremos nesta vida. Há que acreditar em outra. Mesmo assim, ela vai morrer.

Os seis irmãos moravam separados. Viviam em lugares distintos, daquele Estado. Casaram-se e foram viver distantes um do outro. Mesmo que se amassem, juntos não dava certo. E esse amor era de se contestar. Que tipo de amor amofina tanto a ponto de só conseguir sobreviver se longe? Era mesmo de se contestar. O pai e a mãe tentaram de tudo. Mas eles não sabiam fazer de outra forma, tudo era exacerbado, tudo era à flor da pele: sentimentos bons e ruins, palavras ásperas, vocabulário pedante. Tudo arquitetado para deixar cada um resumido à sua insignificante vida.

Surpreendente era que se encontravam em sonhos, os mais profundos. Se conectavam por telepatia. Sempre sabiam o que estava acontecendo um com o outro, mesmo longe. Perto, não dava certo mais que três dias.

Ela ficou doente, a mãe. O pai já havia partido. Ela padecia de uma enfermidade que deuzulivre um deles se acometer. Seu sangue havia que passar por uma máquina a ser purificado, como se ela o devolvesse são. Tal máquina purificava o que havia de ruim e também levava o que havia de bom. A mãe era vampirizada ali mesmo. Às vezes aguentava, às vezes não.

Foram chamados todos. Ela estava em tratamento intensivo. Tiveram que viajar por horas para chegar a tempo de ver a mãe.

Os seis reuniram-se à frente da Unidade, tarde da noite. Ficaram ali durante muito tempo, sem uma notícia sequer. Acostumados a falar muito, mal podiam abrir a boca. A enfermeira do quadro, tal qual àquela dos filmes de guerra, colocava o dedo indicador nos lábios, fazendo bico.

Obedientes, iniciavam falando ao pé do ouvido, em seguida, não conseguiam medir o volume das falas: – E a mãe? Precisamos saber como ela está. – Quem vai procurar alguém para perguntar? – A essa hora, ninguém vai dar informação. – Vai tu, pois conheces o funcionamento do hospital.

Sem alternativa, seguiam impacientes esperando por notícia.

De repente, um deles avistou um conhecido ao fundo do corredor imenso. Era, sim, o colega da irmã mais velha. O fora há muitos anos. Talvez nem sequer se lembrasse dela. Mas tentariam de qualquer forma. Gritar não podiam. Não podiam também sair correndo ao seu encontro. O corredor enorme e antigo, assim como toda arquitetura do prédio, com tábuas que se mexiam ao pisá-las, fazia ruídos a qualquer passo.

– Mas tem que haver um jeito! Vai lá e chama o cara!

No vai e vem das discussões, um se decidiu: – Psiu… psiu… psiu… Em vão, o alvo não foi atingido. O moço nem viu que era com ele. Novamente: – Psiu… psiu…psiu… Ainda nada.

Era difícil crer que não conseguiriam respostas depois de tantos sacrifícios. Tinham vindo de tão longe! Sim, a doença era grave e a mãe se negava a alguns procedimentos. Afinal, uma fístula no braço, para o resto da vida, não era pra qualquer um! Esperavam, então, que pudesse, um cristo, dizer-lhes que havia salvação.

Em meio a discussões silenciosas, não perceberam que, indo ao encontro do tal informante, estavam duas senhoras idosas, que caminhavam com dificuldade e que, a cada psiu, se voltavam para eles.

Quando se deram conta do que estava acontecendo, não havia mais tempo de desfazer o mal-entendido. Tentavam sinalizar para que não voltassem. Se entreolhavam, quase a gargalhadas, implorando para que alguém tivesse uma ideia para mudar a situação. – Vai lá, diz que não é pra elas! Não conseguiam.

As duas deram meia-volta a caminhar no longo corredor. Os passos curtos e vagarosos demonstravam a idade e a paciência em atendê-los. Eles seguiam sinalizando que não voltassem, num movimento que imitava um aceno. E elas respondiam também acenando. Isso demorou uma eternidade. Os seis já não aguentavam mais. Certamente, cairiam num riso descompensado. Mas as idosas estavam chegando mais perto e mais perto. E quando se aproximaram, ao invés de perguntarem o que queriam com elas, deram-lhes a notícia.

O riso enrustido agora se desfez.

 

 

Sou Kátia Nascimento. Muito de professora. Muito de acadêmica. Muito de escritora. Muito de Umbandista. Como professora, sou das Letras. Como acadêmica, sou das Letras. E mais Letras como escritora. Como Umbandista, sou de Iemanjá, que representa as águas salgadas que envolvem o Universo. E é nesse envolver o Universo que me lanço em lugares distintos, sem nunca me sentir pertencente. Sou brasileira, do Rio Grande do Sul. Mas, a vida meio nômade que meu pai nos proporcionou, me fez viver um pouco em cada canto. Então, sou muito gaúcha, um pouco paranaense e um pouco catarinense. Agora sou um pouco portuguesa, SE CALHAR, aveirense. Também canto e faço teatro. Publiquei A vida Mística de Eugênia (2017), pela Editora Chiado, Rio das Pedras (2020), pela Editora Traços & Capturas, Fio do Silêncio (2021), pela Kotter do Brasil, Emboscada (2023), pela Vespeiro Edições, de Curitiba, Crônicas de Saravá – memórias de um cavalo de Umbanda (2023), pela Kotter de Portugal, e O Livro no Corpo (2025), também pela Kotter de Portugal.

UBE Cast BR - MYRIAM SCOTTI - Blog

#UBECastBrasil entrevista MYRIAM SCOTTI | Episódio #04 | Temporada #01

MYRIAM SCOTTI nasceu em Manaus, é formada em Direito pela Universidade Federal do Amazonas – UFAM; é mestre em literatura e crítica literária também pela PUC-SP; com curso de extensão em práticas de leitura e formação do leitor, pela PUC-SP. A partir de 2014, baseada nas experiências com seu primogênito Daniel, estreou como escritora de histórias infantis: O menino que só sabia dizer não (publicação independente); O menino que só queria comer tomate e Quando meu irmão foi embora? (editora Chiado); além do e-book “O menino que não queria dormir sozinho”. Em 2018, estreou na poesia com o título A língua que enlaça também fere (Editora Patuá). Em 2020, lançou um segundo livro de poesia sob o título Mulheres chovem (Editora Penalux), ano em que também venceu o prêmio literário da cidade de Manaus com o romance regional Terra Úmida, publicado em 2021 pela Editora Penalux. Em 2021 lançou o primeiro romance juvenil Quem chamarei de lar? (Editora Pantograf), o qual foi admitido pelo PNLD 2021 e foi escolhido como paradidático de várias escolas do Brasil, além de ter sido selecionado no edital “Minha biblioteca” de São Paulo 2022, onde constam mais de onze mil exemplares espalhados pelas bibliotecas da capital. Em 2024, lançou o livro de crônicas Tudo um pouco mal (Editora Patuá) durante a Festa Literária de Paraty (FLIP), o título é semifinalista do prêmio nacional Sabiá de crônicas. Também em 2024 foi convidada para os Festivais Literários de Araxá e Paracatu, ambas comandadas pelo produtor cultural Afonso Borges, onde explanou sobre literatura produzida por mulheres no Amazonas. Há três anos é curadora do Festival Literário do centro de Manaus (FLIC), promovido pelo produtor cultural João Fernandes, CEO do Centro Cultural Casarão de Ideias.

Assista agora a entrevista completa com a autora Myriam Scotti:

 

O DOM DA BOCA

Ter boca é tão bom!
Bom para comer um prato especialmente preparado,
beber aquele drinque festivo no copo alto fino,
despejar tudo que não te faz bem, reclamar com estilo,
fazer biquinho, caretas, mostra raiva ou desprezo.
Bom para beijar, e beijar, e beijar.

 

Bom para expressar ideias, sentimentos, histórias e até mesmo protestos,
deixar entrar a nutrição e o prazer,
sussurrar, deslizar, respirar perto, e morder de leve,
saborear uma fruta fresca do pé, um chocolate e um café,
expressar alegria, simpatia, e conexão com outros.

 

Bom para viver intensamente,
chorar,
calar,
gritar,
cantar,
declamar, falar besteira,
gemer,
e até tocar um instrumento de sopro.

 

Se parar para pensar, a boca é onde corpo, mente e emoção se encontram.
Ter boca é bom pra caramba!

Meire Marion é professora de inglês, língua e literatura, escritora e poeta. É diretora da UBE, responsável pelo Prêmio Cláudio Willer de poesia. Têm sete livros para crianças publicados. É colunista da Revista Voo Livre de literatura. Também participa de diversas antologias com poemas e contos.

Vanessa Ratton representa o Brasil no Prêmio Alma

Prêmio Astrid Lindgren de 2026, anunciou em outubro os indicados que foram aprovados pelo júri. São 263 candidatos de 74 países.
Os escritores Roger Mello e Vanessa Ratton foram os escolhido para representar o Brasil. O vencedor será anunciado em 14 de abril de 2026. O Prêmio literário sueco reconhece escritores, ilustradores, organizações e outras personalidades que se dedicam à promoção do livro e da leitura para crianças e jovens em todo o mundo. O prêmio global é atribuído anualmente para uma pessoa ou organização.
O Astrid Lindgren Memorial Award foi criado em 2002 pelo governo sueco para promover o direito de toda criança acessar boas histórias.
O Brasil já teve vencedores e indicados em edições anteriores: a escritora Lygia Bojunga Nunes foi a primeira vencedora do prêmio, em 2004. Daniel Munduruku e Roger Mello já foram indicados.
Roger já ilustrou mais de 100 livros – alguns dos quais ele também escreveu. O escritor já ganhou vários prêmios incluindo o Jabuti, o Luis Jardim do IBBY e o prêmio Hans Christian Andersen.
Vanessa Ratton é da etnia guarani e escreve literatura infantil e juvenil. É diretora da UBE. Foi uma das fundadoras do Mulherio das Letras Indígenas, vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Fomento à Leitura em 2023. É autora de mais de 20 livros pelas editoras Florear Livros, Editora Elo, Editora do Brasil, Bambolê entre outras.
Foi finalista do Prêmio Barco a Vapor em 2023 e Nelly Novaes Coelho em 2022. Atua no programa Read On Portugal, realizado pela rede de bibliotecas escolares do governo português, sendo a única escritora brasileira do projeto que orienta a escrita de jovens do Ensino Médio para a publicação de livros, e coordena o projeto Porto de Literatura, levando doação de livros e escritores para conversar com estudantes nas escolas públicas da cidade de Santos, litoral de São Paulo.
UBECASTBR - JO RAMOS

#UBECastBrasil entrevista JÔ RAMOS | Episódio #03 | Temporada #01

Jô Ramos é jornalista e escritora, graduada em Comunicação Social, pós-graduação em Sociologia Urbana, Licenciatura em Letras, editora chefe da Revista Lapa Legal Rio, abriu a ZL Books Editora, fundou e coordena os projetos do Movimento Defesa da Mulher que trabalha pelo fim da violência contra mulheres no mundo. Em 2012, lançou o livro “Violência Contra Mulheres. Dê um Basta!” e o livro “A Mulher e Seus Direitos”, em 2013.

Lançou 10 livros do seu “Projeto Jovens Escritores” com adolescentes de Portugal, Brasil, Guiné Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Ucrânia e Rússia. Criou o Troféu Literário Clarice Lispector e os salões de livros de NY, Rio, Lisboa, Covilhã, Ilha de São Miguel-Açores, em Portugal, Berlim, São Paulo, Paris e Montreal.

 

Assista agora ao episódio completo com a participação da Jô Ramos no #UBECastBrasil:

UBECASTBR - HELOÍSA

#UBECastBrasil entrevista HELOÍSA PRAZERES | Episódio #01 | Temporada #01

A primeira entrevistada do nosso novo podcast, o “UBE Cast Brasil” é a nossa sócia Heloísa Prazeres.

A autora é natural de Itabuna, BA, a poeta, ensaísta, pesquisadora e professora, desde cedo encontrou nos livros da biblioteca familiar, e das bibliotecas públicas, o prazer da leitura. Foi a partir do estímulo e contato com obras de autores nacionais e estrangeiros, que desenvolveu sua escrita, especialmente no gênero lírico. Nos anos 2000, publicou ensaios, Temas e Teimas em narrativas baianas do centro-sul, posteriormente, Pequena história, poemas selecionados (2014), Casa onde habitamos, poemas (2016), ensaios, Arcos de sentidos, literatura, tradução e memória cultural (2018) e Tenda acesa, poemas (2020). A vigília dos peixes, poemas (2021); O tempo não detém a vida, poemas (2023); Nossa casa alheia, poemas (2024).

Heloísa Prazeres possui extenso histórico no campo das Letras, Bacharel e Licenciada em Letras Vernáculas, Mestre em Letras – Teoria da Literatura – pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Acadêmica (Academia de Letras da Bahia) e Academia de Letras de Itabuna. A autora cumpriu o doutorado na University of Cincinnati, OH, Estados Unidos. Foi titular e pesquisadora da Universidade Salvador (UNIFACS) e coordenou o Núcleo de Referência Cultural da Fundação Cultural do Estado da Bahia.

Assista agora ao episódio completo e conheça mais sobre a escrita de Heloísa Prazeres:

 

CAPA - 40 anos de pois da reforma

Ana Luiza Almeida Ferro, sócia da União Brasileira de Escritores (UBE), tem artigo publicado em livro sobre os 40 anos da Reforma Penal de 1984.

Editado pela Tirant to blach, o livro “40 anos depois da reforma penal de 1984: Direito Penal Fundamental e execução penal” conta com o artigo “Notas sobre a participação feminina no crime organizado”, da autora Ana Luiza Ferro, sócia da UBE.

Há pouco mais de 40 anos, nosso ordenamento legal experimentava uma das mais relevantes reformas legislativas do século XX. Consagrada, outrossim sob a denominação de A Grande Reforma, essa importante transformação no Direito Penal brasileiro contemplou o advento da Lei 7.209 e a Lei 7.210, ambas editadas em 1984 e responsáveis, correspondentemente, por instituir uma nova Parte Geral ao Código Penal de 1940 e introduzir no sistema jurídico a Lei de Execução Penal.

O significado dogmático e político-criminal desse jubileu provocou ao Núcleo de Estudos e Pesquisas Históricas e Comparadas em Ciências Penais da Faculdade de Ciências da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), a propositura de um projeto de obra coletiva, comprometido em viabilizar o debate acadêmico sobre as mais candentes e complexas questões relativas ao Direito Penal fundamental e à execução penal no Brasil desde a mencionada reforma até os dias atuais.

Com sua edificação, participaram destacados nomes da ciência penal nacional, juristas e pesquisadores que apontaram as promessas e falácias típicas de qualquer reforma de política criminal, os obstáculos enfrentados em matéria de regulamentação e os desafios que se apresentam 40 anos depois ao legislador do presente e do futuro.

Os trabalhos, majoritariamente inéditos, revelam um cenário de avanços e retrocessos, erros e acertos, porém, promovem reflexões profundas de Política Criminal e traçam perspectivas jurídico-penais consentâneas às exigências de atualização próprias de uma legislação que atravessou a virada de século XX para o XXI. Estruturamos o livro em torno de dois eixos temáticos centrais. O primeiro deles concernente aos trabalhos de Direito Penal fundamental reunidos sob o título “O marco dos 40 anos da reforma da Parte Geral do Código Penal Brasileiro”.
Já o segundo eixo, intitulado “40 anos depois da Lei de Execução Penal” contempla os ensaios sobre execução penal e temas afins. Tem-se, portanto, um espectro abrangente e qualificado de produção nacional sobre os institutos correlatos aos eixos temáticos estruturantes da obra, com pesquisas realizadas por estudiosos de diversos Estados da federação, além da importantíssima contribuição dos ilustres professores Alamiro Velludo Salvador Netto e João Mestieri ao prefaciar o livro e apresentá-lo ao público, respectivamente.
Sobre o seu conteúdo, cabe aos leitores descortiná-lo ao compaginar o presente livro que, façamos votos, tornar-se-á referência importante para a continuação do debate sério sobre os temas a ele subjacentes e obrigatória para todos que pretendam sobre eles debruarem-se.

Disponível para venda em: EDITORIAL TIRANT