Ministra Cármen Lúcia vence o Troféu Juca Pato 2026 e recebe prêmio no 3º Flipetrópolis.

Primeira integrante do STF a conquistar uma das mais tradicionais distinções intelectuais do País, Cármen Lúcia receberá o prêmio das mãos de Sueli Carneiro, com as presenças de Míriam Leitão e Conceição Evaristo.

 

Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

O presidente da União Brasileira de Escritores (UBE), Ricardo Ramos Filho, anunciou que a ministra e escritora Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, é a vencedora do Troféu Juca Pato – Intelectual do Ano de 2026, concedido pela entidade. A cerimônia de entrega será realizada no sábado, 14 de novembro, durante o 3º Flipetrópolis – Festival Literário Internacional de Petrópolis, no Palácio de Cristal.

Cármen Lúcia receberá o prêmio das mãos da filósofa e escritora Sueli Carneiro, vencedora de 2025. A cerimônia terá ainda as presenças da jornalista e escritora Míriam Leitão, vencedora de 2024, e da escritora Conceição Evaristo, vencedora de 2023. Será um encontro inédito das quatro mulheres que conquistaram, em sequência, o título de Intelectual do Ano.

Criado em 1962, por iniciativa do escritor Marcos Rey, o Troféu Juca Pato tornou-se uma das mais tradicionais distinções da vida intelectual brasileira. Concedido pela UBE, atravessou mais de seis décadas reconhecendo nomes fundamentais da cultura e do pensamento do país, entre eles Jorge Amado, Luís da Câmara Cascudo, Carlos Drummond de Andrade, Cora Coralina, Antonio Candido e Lygia Fagundes Telles. Nos últimos anos, foram premiados Ailton Krenak, Laerte Coutinho, Padre Júlio Lancellotti, Conceição Evaristo, Míriam Leitão e Sueli Carneiro.

A escolha de Cármen Lúcia é histórica: pela primeira vez, uma integrante do Supremo Tribunal Federal recebe o Juca Pato. O reconhecimento se dá por sua trajetória intelectual e por uma produção escrita que ultrapassa o universo jurídico para alcançar temas centrais da vida brasileira, especialmente a democracia, a cidadania e os direitos fundamentais.

Cármen Lúcia concorreu ao prêmio com “Princípio Constitucional da Solidariedade”, publicado em 2025 pela Editora Fórum, atendendo à exigência do regulamento de publicação de livro inédito e em primeira edição no ano anterior à premiação. A escolha, porém, considera uma trajetória mais ampla, na qual Direito, pensamento político e literatura se encontram.

Essa produção inclui também “Pela mão do povo — Voto e democracia no Brasil”, reflexão sobre a construção histórica do voto e da soberania popular, e “O Livro da Democracia”, escrito com a jornalista Mariana Oliveira e dirigido ao público infantojuvenil.

A premiação de 2026 registra ainda uma mudança significativa na história recente do Juca Pato. Conceição Evaristo, Míriam Leitão, Sueli Carneiro e Cármen Lúcia são quatro mulheres premiadas consecutivamente, depois de décadas de ampla predominância masculina entre os vencedores. No Palácio de Cristal, essa história ganhará uma imagem especial: Sueli Carneiro passará o Juca Pato a Cármen Lúcia diante das duas vencedoras anteriores.

 

3º Flipetrópolis

O 3º Flipetrópolis – Festival Literário Internacional de Petrópolis acontece de 12 a 15 de novembro de 2026, no Palácio de Cristal, com o tema “Meu Lugar no Mundo”. A edição terá como patronos o geógrafo Milton Santos, no centenário de seu nascimento, e o artista plástico Alberto da Veiga Guignard, nos seus 130 anos, além de Conceição Evaristo como Autora Homenageada, no ano em que completa 80 anos. Gratuito e aberto ao público, o Festival tem patrocínio da GE Aerospace, Zweiss e Unifase, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, e apoio da Prefeitura de Petrópolis.

A entrega do Troféu Juca Pato, no dia 14 de novembro, será um dos momentos centrais da programação do Festival, reunindo no Palácio de Cristal quatro gerações e trajetórias distintas de mulheres que ocupam lugares fundamentais na literatura, no pensamento e na vida pública brasileira.

Afonso Borges destaca o livro “Princípio Constitucional da Solidariedade”, obra da ministra do STF. Cármen Lúcia, publicada pela Editora Fórum.

O Mondolivro de hoje fala de uma leitura que me tocou de um jeito raro e especial.

Um livro que não deveria estar apenas nas estantes do Direito, mas na cabeceira de quem acredita na força da palavra e do humano.

Falo de Princípio Constitucional da Solidariedade, da minstra do STF, Cármen Lúcia, publicado pela Editora Fórum.

Cármen Lúcia escreve como quem fala baixo, mas firme. Não impõe conceitos – constrói sentidos. Sua escrita tem algo de confissão e algo de compromisso. A gente sente que cada frase nasce de uma responsabilidade profunda com o outro.

A solidariedade, aqui, não é tese. É uma visão de mundo. É a ideia de que ninguém se sustenta sozinho — nem o Direito, nem a democracia, nem a vida.

Ao ler, tive a sensação de estar diante de alguém que acredita, de verdade, que as palavras ainda podem organizar o mundo. Que escrever bem é um ato ético. E que pensar o coletivo é uma forma de afeto.

Esse livro me lembrou que há autores que não escrevem para vencer debates, mas para não perder pessoas. Para mim, o “Princípio Constitucional da Solidariedade” é, além de literatura da mais alta qualidade, uma forma de diálogo.

Post no Instagram: