“edifícios guardados”, por Adenildo Lima

 

a música toca suave nos labirintos
transmitindo uma paz e uma harmonia
capaz de transformar o mundo
esperançoso
o menino olha o tempo e brinca
mas parece que tem medo de alguma coisa
a música acompanha cada momento

 

uma lágrima cai no chão de concreto
o cachorro lambe a face do seu dono
dele sai um amor tão sincero

 

o menino sente inveja do cão
e observa o tempo

 

os faróis se abrem se fecham
a cidade parece um mar com ondas fortes

 

o menino observa cada cena

 

a cidade parece um dragão cuspindo fogo
algumas pessoas se assustam
outras parecem que já se acostumaram

 

a música
sente-se invadida pelas buzinas dos carros

 

a metrópole está pequena
os prédios estão alto demais
o campo transformou-se numa floresta de concreto
e as pessoas procuram a paz deixada em algum lugar

 

a cidade parece o mar com ondas fortes
música já não há mais
harmonia também não
parece que só o amor do cão caminha nas calçadas
contrastando com o dragão cuspindo fogo

 


Adenildo Lima é natural de Colônia Leopoldina (AL) e vive em São Paulo desde 1998. Com uma escrita que trata dos dilemas sociais, considera que seus livros, tanto em verso como em prosa, descrevem uma época pós-moderna. Em 2025, foi indicado ao Prêmio Intelectual do Ano, organizado pela UBE, da qual é sócio filiado e, em 2017, se candidatou a uma cadeira na ABL. Agora em 2026, está
trabalhando uma nova edição do seu romance, Maria, pela Akuanduba Editorial, e tem lançamento previsto para este ano de um livro de poemas, pela Laranja Original. E na caminhada literária, já ganhou e foi finalista e semifinalista em diversos prêmios. Atualmente, além de se dedicar à literatura, leciona no Senac.

E-mail: adenildolima@gmail.com
Instagram: www.instagram.com/adenildolima.oficial/


 

Retalhos poéticos de Drummond

No meio do caminho tinha um banco,
Onde sentou-se José,
Naquela tarde de maio,
De mãos dadas com a fé.

Com sua lanterna mágica,
Esperou pelo anoitecer,
Ainda que mal soubesse
A fragilidade do ser.

Dançar o Bolero de Ravel
Estava nos desejos seus.
Mas, na igreja, o sino tocava,
A canção final de adeus.

De surpresa vem a quadrilha
Na procura da poesia,
Trazendo a canção amiga
Como um presente do dia.

E para ser um homem livre,
A difícil escolha não é segredo,
Pois, a ausência da coragem,
Para o poeta é um brinquedo

Mas, para sempre não é definitivo,
Em confronto com a eternidade,

O tempo passa? Não passa.
Passa a vida, na verdade.

Na memória o inconfesso desejo:
Recomeçar sem medo da dor,
Vencer a máquina do mundo,
Para viver um grande amor.

Trabalho elaborado com a utilização de 34 títulos
de poemas de Carlos Drummond de Andrade.

 

Este poema (Retalhos poéticos de Drummond) venceu o Concurso Poesia BR #10 da Editora Versiprosa.

 

 

Ildebrando Pereira da Silva nasceu em Lorena /SP em 26 de março de1952. Formado em Direito pela Universidade de Taubaté UNITAU.

Poeta premiado em concursos, sendo três em 2025. Autor dos livros Fantasia, Sonho de Papel, Sob o olhar da poesia Por onde anda a poesia, além da participação em coletâneas. Declamador ganhador de vários prêmios. Participou de grupos de canto coral, grupos de teatro e atuou como radialista na Rádio Cultura de Lorena. Membro Fundador da Academia Lorenense de Letras e Artes – ALLARTE, sendo o idealizador da sua criação, e seu presidente.

Invasão! Invasão! Invasão!

Eles podem ser vistos ao redor.
Aqui.
Lá.
Em toda parte.
Muitos são aqueles que estão cegos para eles.
No entanto, meus olhos estão bem abertos.

Da janela do meu quarto.
Da janela da minha cozinha.
Da janela da minha sala.
Da janela do meu banheiro.
Eu os vejo olhando para mim.

Eu os sinto e a tensão surge.
Assentam aquelas alvenarias fortes que alcançarão os céus.
Vibram, fazem barulho; sacodem o chão.
Não entendo porque eles estão por toda a cidade.

Aqui.
Lá.
Em toda parte.
Bater.
Elevar.
Arruinar.
Das 7h às 18h.
De segunda-feira a sábado.
Ininterruptamente.

Será um golpe?
Será um aviso?
Será que só eu os percebo?
Estou convencido de que há uma invasão na cidade.

Basta olhar a sua volta.
Eles estão subindo de todos os lados.
Invasão de guindastes!

 

Meire Marion é professora de inglês, língua e literatura, escritora e poeta. É diretora da UBE, responsável pelo Prêmio Cláudio Willer de poesia. Têm sete livros para crianças publicados. É colunista da Revista Voo Livre de literatura. Também participa de diversas antologias com poemas e contos.